sábado, março 10, 2007

ACELERANDO (8 MAR 2007)

MULHER “X”, MODELO DO ANO

Hoje, neste 8 de março, a edição é dedicada especialmente aos insubstituíveis seres que, ´de fábrica´, já saem mais completos do que os homens: elas, as mulheres, lindas criações de Deus em dia de bom humor. Muito mais perfeitas, pois, sem útero, não há vida. Se carros elas fossem, os mais impressionantes desenhos teriam. Imagine o comparativo (no bom sentido, senhoritas), da carne com o aço. Aí vai!
Mulher Xis, modelo do ano. Preço: incalculável. Potência: de tirar o fôlego. Itens de série: air bag duplo frontal, faróis auxiliares com cílios bem cuidados, pintura impecável (sempre protegida por cosméticos). Pneus: os mais variados, para todos os tipos de baladas, terrenos, vias, calçadas. Salto alto, salto baixo, tênis e até com os pezinhos à mostra, a rodagem fica uma graça. Sistema de alimentação: muito econômicas. Um dia e meio rodando apenas com um prato de salada de rúcula e suco de maçã. Durabilidade: média de 90 anos com todas as fases brilhantes. Dos 20 aos 40 mil quilômetros não perdem a beleza e a disposição de encarar desafios. Na revisão de 50 mil, a comprovação de que a longa estrada pode deixar um veículo mais interessante. Aos 60, enfim, o final das trocas de óleo mensais, conseqüência da maturidade, da assinatura do tempo no corpo, que agora vai se acomodando a novos caminhos. Aos 70 mil, a performance da sabedoria é total e as engrenagens - apesar de desgastadas -, mantém-se intactas. Com 80 mil quilômetros, esse veículo atinge a plenitude do funcionamento: equilíbrio perfeito, motorização exata, congruência entre o falar e o agir, harmonia entre o ser e o existir. Aos 90 mil, o veículo-mulher, carruagem de beleza, atinge o ápice existencial.
Engana-se quem pensa que um modelo desses será destinado ao Ferro-Velho. Pelo contrário, muito mais que o bicho homem, (esse sim, frágil e incompleto), será exposto em museu, como raro exemplar de fibra, que ousou mudar para melhor e conseguiu superar obstáculos na lama ou no frio, que resistiu à falta de revisões, injustiças e preconceitos. Veículo único, com chassi Nº1, exclusivo pela própria natureza e belo de alguma forma. À mulher, o carro do ano, de todos os anos, o nosso respeito e admiração.


Boa leitura, cara leitora! Texto: Fábio Amorim

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